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Enquanto isso, no Dragão do Mar…

novembro 2nd, 2009 by Rafael Salvador | 7 Comments | Filed in Tiras

Pra quem não conhece, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura é um espaço onde a vida cultural fortalezense bomba: museu, biblioteca, anfiteatro, bares, boates, casas de show, etecétera. E, pra quem não andou vendo TV esses dias não está sabendo do que aconteceu. Uma matéria do Jornal da Globo mostrou menores de idade consumindo bebidas alcoólicas a céu aberto, <sarcasmo>coisa que só acontece aqui, em Fortaleza</sarcasmo>, compradas de vendedores clandestinos, além do som alto vindo das mais diversas fontes. É a velha Lei de Murphy aplicada à Antropologia: sempre haverá alguém pra estragar tudo. E agora é das três, uma: 1) levar uma mochila com mantimentos (não?), 2) comprar comida nos bares do lugar (que demora pra ficar pronta, além de ser cara), ou 3) Segurar a fome (ou larica, vai saber…). Ainda há a quarta alternativa, mas sinceramente eu não quero 4) deixar de frequentar o Dragão.

Os vendedores informais do Dragão do Mar sempre representaram um alívio pra quem vira a noite por lá. Sempre que batia aquela fome era só ir ao vendedor mais próximo e comprar um cachorro-quente ou hambúrguer num precinho bem amigável. Mas basta a imprensa fazer o seu shownalismo pra que as “autoridades competentes” façam seu trabalho do jeito mais rápido (e fácil). Acabou que, ao invés de fiscalizar e investigar adequadamente, ou mesmo de enfim cadastrar os vendedores responsáveis (que sempre estiveram dispostos para isso), melhor proibir, fechar ou embargar logo todo mundo. Nem o palco sob a passarela e o Café Teatro das Marias foram poupados. Clap clap clap.

O Brasil, como vocês bem sabem, é um país onde as coisas só acontecem quando a merda acerta o ventilador. E a sujeira muitas vezes é lavada com ainda mais merda. Tipo o Dragão do Mar, o mais novo centro (des)cultural de uma Fortaleza já sem muitas opções de entretenimento de qualidade.

Será que a partir de agora todos os shows no Dragão serão unplugged, cantados em libras, e aplaudidos com estalos de dedos?

Até as vistas.

P.s.: Não se preocupem, uma hora esquecem dessa matéria e os vendedores voltam na alta estação. É o Brasil, afinal.

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  • O dono desta bodega

    Baiano de Paulo Afonso radicado no Ceará, Rafael Salvador é estudante de Publicidade e Propaganda na UFC e Artes Visuais no IFET-CE. Monitor da Oficina de Quadrinhos da UFC, produz tiras aos trancos e barrancos desde 2006. Neste sítio da web ele publica os rebentos de sua criatividade com o intuito de divulgar seu trabalho, ou simplesmente dar vazão a sua imaginação hiperativa.